Cafezinho 94 – Jornalismo e civilidade
Olha, eu tenho me incomodado com nível rasteiro ao qual chegou o jornalismo brasileiro, especialmente nestes dias de campanha política. Semana passado tivemos uma experiência horrorosa com a participação de Jair Bolsonaro no programa Roda Viva, transformado em palanque para ressentimento e militância política de jornalistas. Na Globonews, boa parte da entrevista de Ciro Gomes foi dedicada a discutir seu temperamento explosivo. Olhos no passado, no assessório, deixando de fora o principal, o que é que esses caras pensam pro futuro. Meu amigo Adalberto Piotto, um dos mais brilhantes entrevistadores que conheço e estranhamente fora das grandes mídias, escreveu em seu Facebook:
“Em nenhuma escola de jornalismo - não nas sérias - se aprende que agressividade significa independência em relação ao entrevistado. Isso é uma invencionice de quem tem carência de informação e problemas com o debate. Nem se aprende que jocosidade, arrogância e preconceito são ferramentas úteis no jornalismo. Na verdade, são características execráveis. A elegância e a clareza dos fatos objetivos são suficientes para a condução de uma entrevista. Entrevistado não é subalterno de jornalista. Ninguém é obrigado a se expor ou responder a tudo que lhe é perguntado. Por isso, a elegância e a clareza dos fatos na condução de uma conversa nos são mais úteis no convencimento do interlocutor. No fim, todos serão julgados pelo público. A tudo isso chamamos de civilidade, de convívio social.”
Pois é. Agressividade, jocosidade, arrogância e preconceito, aplicados a favor de militância política são as características de toda uma geração de jornalistas que parece ter perdido seu norte. Falta de preparo, superficialidade e apego a agendas progressistas que transformam o confronto de ideias em ofensa, são a norma. Assistimos então jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão perdendo relevância, ouvintes, assinantes e espectadores, enquanto as mídias e canais independentes crescem de importância. O povo quer personalidade, opinião consistente e gente capaz de exercer aquilo que Carlos Alberto Di franco colocou em primeiro lugar em seu Decálogo da Qualidade Jornalística: Humildade, coragem e prudência. Quem mais perde é a sociedade.
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