O que o ‘não’ da Islândia representa para a União Europeia?
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O que o ‘não’ da Islândia representa para a União Europeia?

Apesar da negativa pela adesão do país nórdico, o bloco europeu segue com seu novo projeto expansionista. Montenegro e Moldávia encabeçam uma longa lista de candidatos que prometem trazer à UE maior competitividade na disputa econômica frente à China e aos Estados Unidos.

Artur Capuani, correspondente da RFI em Bruxelas

A população da Islândia rejeitou, neste fim de semana, em referendo, a retomada das negociações de adesão à União Europeia. A decisão fecha uma frente estratégica para Bruxelas, que segue tocando seu projeto de expansão do bloco, atualmente com 27 países membros.

Com cerca de 400 mil habitantes, o equivalente à população de uma cidade como Santos, a Islândia é um país pequeno, mas com relevância geográfica considerável. A ilha fica próxima da Groenlândia, no Ártico, no centro de um corredor marítimo estratégico historicamente usado pela Rússia e que ganhou ainda mais peso desde a guerra na Ucrânia.

O país é membro da Otan, o que lhe garante proteção, mas o próprio bloco atlântico vive tensões internas. As ameaças de Donald Trump contra a vizinha Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, acenderam um alerta em Reykjavík, a ponto de o presidente americano ter se referido à Islândia por engano, em discurso em Davos, quando o alvo de suas declarações era a Groenlândia. O embaixador dos Estados Unidos na capital islandesa também chegou a dizer, em tom de brincadeira, que o país poderia se tornar o 52º estado americano.

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A isso soma-se a eleição de um governo social-democrata e pró-União Europeia em Reykjavík. A ideia inicial era realizar o referendo apenas em 2027, mas o contexto geopolítico antecipou a consulta popular.

A Islândia já havia aberto negociações com a UE após a crise econômica global de 2008, mas o processo foi interrompido anos depois. O país já integra o espaço Schengen e a zona de livre comércio europeia e, ainda assim, uma adesão plena ao bloco teria um impacto político significativo.

Entre os argumentos dos que rejeitam a entrada está o excesso de regulamentação europeia, temido sobretudo por fazendeiros islandeses, preocupados com o efeito de novas regras sobre um país de PIB per capita elevado.

Também existem preocupações em relação ao acesso dos recursos pesqueiros, que representam a maior parte das exportações do país. A adesão integrari

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