Campanha eleitoral entra no segundo mês de forma desafiadora para Lula
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Campanha eleitoral entra no segundo mês de forma desafiadora para Lula

A 26 dias do primeiro turno das eleições, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscam conter os impactos políticos do caso Master/Moraes sobre a campanha à reeleição. Do outro lado, a direita tenta associar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal ao PT para desgastar o governo.

Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília

Mais do que o número de pessoas nas manifestações pelo dia da Independência do Brasil, a semana começou marcada por dados da pesquisa Quaest que mostram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) exatamente empatados no segundo turno, com 41% das intenções de voto. O resultado reflete não um avanço do candidato do PL, que permanece estável, mas uma oscilação negativa do desempenho do presidente.

O sinal de alerta na esquerda desta vez vem em um momento de profunda crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. O escândalo do Banco Master, que era até então o calcanhar de Aquiles de Flávio Bolsonaro, por causa da gravação em que ele pede recursos a Daniel Vorcaro, virou hoje um telhado de vidro ainda maior para o governo Lula, uma vez que, no epicentro do caso, está Alexandre de Moraes, relator do inquérito que condenou os golpistas do 8 de Janeiro.

“A princípio, o escândalo do Master afetou mais Flávio Bolsonaro. Porém, agora, mais próximo das eleições e com o alvo muito bem definido no momento, que é Alexandre de Moraes, essa crise desfavorece muito mais a campanha de Lula à reeleição”, afirmou à RFI o cientista político André Rosa.

“O discurso bolsonarista anti-Alexandre de Moraes começa a ser um pouco mais palatável para aquele eleitor que antes desconfiava, que o achava exagerado e até uma certa perseguição. Esse eleitor, antes indeciso, pode ter alguma base para associar a imagem de Lula à do próprio Alexandre de Moraes”, explica o analista.

Ciente disso, Lula chegou a defender, em vídeo e sem citar nomes, uma investigação total contra todos os suspeitos, doa a quem doer, e tem procurado deixar para a presidência da Corte a busca por uma saída, sem assumir protagonismo na crise institucional.

A aposta da direita

Outro detalhe que não passou despercebido foi a declaração do meteoro Augusto Cury, psiquiatra até então conhecido como escritor de livros de autoajuda e que vem se consolidando como terceiro colocado nas pesquisas. Ele já havia defendido anistia à maioria dos condenados pelo 8 de Janeiro e, nesta segunda-feira, encerrou um discurso mandando um abraço especial ao ministro André Mendonça, do STF, numa demonstração de que pode estar mais próximo de Flávio do que de Lula em um eventual segundo turno.

A indicação de apoio na segunda etapa não significa que os votos migram automaticamente, mas pode sugerir

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